Iluminação na Ergonomia
- Hugo Gleven

- 16 de nov. de 2022
- 4 min de leitura

Quando falamos em ergonomia, sempre pensamos apenas no conforto mais físico, palpável, como o de uma cadeira confortável, por exemplo. Deste modo, a iluminação se torna uma preocupação secundária em um meio ambiente laboral. Muitos gestores e empreendedores consideram o gasto com um projeto luminotécnico como sendo apenas mais um gasto, e não um investimento à saúde e eficiência próprias e de seus funcionários.
De acordo com Abergo (2000), o propósito da ergonomia é modificar os sistemas de trabalho para adequar a atividade nele existente, às características, habilidades e limitações das pessoas com vistas ao seu desempenho eficiente, confortável e seguro.

A iluminação inadequada em um ambiente de trabalho tem a capacidade de interferir diretamente na produtividade e também na saúde mental e física de um indivíduo.
Quando falamos em iluminação inadequada, não podemos apenas focar em baixa iluminação. Iluminações fracas ou fortes podem causar dores de cabeças e enxaquecas que resultam diretamente em uma menor produtividade e também queda da qualidade de vida.
Além disso, investimentos em ergonomia e qualidade de vida são cada vez mais exigidos pela legislação trabalhista. A exemplo disto, a Norma Regulamentadora (NR) 17 - Ergonomia, desenvolvida pelo extinto Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), exige das empresas responsabilidades relacionadas a ergonomia. Dentre essas exigências, a iluminação destaca-se como um fator que merece atenção.
A NR 17 nos traz os seguintes pontos:
17.5.3. Em todos os locais de trabalho deve haver iluminação adequada, natural ou artificial, geral ou suplementar, apropriada à natureza da atividade.
17.5.3.1. A iluminação geral deve ser uniformemente distribuída e difusa.
17.5.3.2. A iluminação geral ou suplementar deve ser projetada e instalada de forma a evitar ofuscamento, reflexos incômodos, sombras e contrastes excessivos.
A mesma Norma determinava, em seu item 17.5.3.3, a obrigatoriedade de seguir a NBR 5413, mas foi alterada pela Portaria MTB Nº 876/2018. Hoje, fica determinado que os métodos de medição e os níveis mínimos de iluminamento a serem observados nos locais de trabalho são os estabelecidos na Norma de Higiene Ocupacional n.º 11 (NHO 11) da Fundacentro.

Falando apenas de iluminação, também temos a Norma Brasileira Regulatória (NBR) 5413 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e a Norma de Higiene Ocupacional (NHO) 11, que estabelece os padrões adequados de iluminação do ambiente através dos níveis de iluminância, ou seja, os níveis de luz que incidem em uma superfície.
Segundo Tavares (2006), uma iluminação insuficiente interfere nos níveis de desempenho do indivíduo em decorrência da diminuição do ritmo de trabalho, numa menor percepção de detalhes, aumento de erros ao executar determinados trabalhos e elevação dos índices de acidentes do trabalho.

Uma boa forma de exemplificarmos acidentes de trabalho causados por iluminação inadequada é nos colocarmos no lugar de um trabalhador de uma carpintaria. Imagine que você está utilizando uma cerra de mesa fixa, entretanto, no seu ambiente de trabalho existe apenas uma luminária localizada logo acima dessa cerra. Não se trata de um ambiente escuro, pois a luz vinda dessa luminária possui a iluminância necessária por Norma. Agora imagine que ao utilizar a cerra, você incline seu corpo para frente num movimento natural da função. Isso irá gerar uma sombra exatamente sobre suas mãos, te expondo a acidentes não por imperícia, mas sim por conta de um ambiente de trabalho inadequado para o desempenho de suas atividades.

Junto aos riscos de acidentes, uma iluminação inadequada no ambiente de trabalho, com sombras e ofuscamentos, também oferece prejuízos à saúde do trabalhador a longo prazo, pois exige maior esforço da visão. Segundo Regis Filho e Sell (2000), se o indivíduo permanecer nesse ambiente desfavorável, com o passar dos anos, a prática do trabalho irá ocasionar a diminuição da sua capacidade visual.
Se por um lado, uma baixa iluminação pode causar uma série de sintomas ao trabalhador (fadiga visual, dores de cabeça, estresse psicológico e intensa sensação de fadiga, o que gera nervosismo e desequilíbrio emocional), uma iluminação excessiva, por sua vez, também é prejudicial à saúde dos olhos, pois o excesso de luz provoca uma maior evaporação da película lacrimal, o que causa um déficit na lubrificação dos olhos. Dessa forma, aparecem sintomas como: lacrimejamento, irritação ocular e vermelhidão.
Entretanto, luz em intensidade adequada proporciona diversos benefícios como o aumento da acuidade visual, da velocidade da leitura e da concentração, redução da fadiga ocular e da sonolência, e consequentemente o aumento da produtividade.

Como exemplo a iluminação excessiva podemos citar trabalhos envolvendo computadores. Quando estamos com o brilho da telha alto, geralmente sentimos dores nos olhos e começamos a lacrimejar.
De forma menos técnica, é possível resumir a iluminação como um dos principais itens em um ambiente, seja ele laboral ou residencial. Podemos concluir que um projeto luminotécnico bem executado é de extrema importância e não se resume a apenas conforto e bem estar, tendo papel fundamental também na saúde.
É possível utilizar algumas dicas simples para se ter um bom projeto luminotécnico:
• Lâmpadas frias, com tom branco azulado, são as recomendadas para ambientes que necessitam atenção, tanto no ambiente de trabalho quanto domiciliar (em cozinhas, ao manusear facas, por exemplo);
• Lâmpadas com cores amareladas causam relaxamento e sonolência, e são recomendadas para áreas de descanso;
• Utilize a luminosidade natural ao seu favor através de vidrarias e janelas;
• As luzes refletem nos pisos e paredes. Leve isso em consideração nos cálculos já que pisos e paredes escuros irão absorver luminosidade e requisitar lâmpadas mais fortes.







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